Saturday, September 30, 2006

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.Grupo de Discussões Judaísmo On-line - Yahoo
Este Grupo tem a finalidade de estudar o Judaísmo e segue as orientações do Rabinato Superior de Israel. Um dos Moderadores deste Grupo é o Rabino Elisha Salas (Rabino Ortodoxo - Moderno, formado em Docência pela Yeshivá “ Beith Midrash Sefaradi”, na cidade velha de Jerusalém).

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Este Grupo está voltado exclusivamente as causas Bnei Anussim dos Pernambucanos

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Este Grupo tem a finalidade de estudar os porquês do Judaísmo.

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ACREDITAM OS JUDEUS QUE O JUDAÍSMO É A ÚNICA RELIGIÃO VERDADEIRA?

ACREDITAM OS JUDEUS QUE O JUDAÍSMO É A ÚNICA RELIGIÃO VERDADEIRA?

Os judeus consideram a sua religião a única para os judeus; jamais condenam, porém, o devoto de qualquer outra fé. Diz-nos o Talmud: “Os justos de todas as nações merecem a imortalidade”.
Acreditam eles em certos conceitos éticos essenciais: decôro, benevolência, justiça e integridade. A estes consideram verdades eternas, mas sem se arrogarem o monopólio dessas verdades, pois reconhecem que toda grande fé religiosa as descobriu. Era o que Rabi Meir tinha em vista quando, há cerca de dezoito séculos, afirmou “Gentio que segue a Torá não é inferior ao nosso Sumo Sacerdote”.

O QUE É UM JUDEU

O QUE É UM JUDEU

MORRIS KERTZER

É muito difícil encontrar uma simples definição do que é um judeu.
Judeu é todo aquele que aceita a fé judaica. Esta é a definição religiosa.
Judeu é aquele que, não tendo afiliação religiosa formal, considera os ensinamentos do Judaísmo - sua ética, seus costumes, sua literatura - como propriedade sua. Esta é a definição cultural.
Judeu é aquele que se considera judeu ou que assim é considerado pela sua comunidade. Esta é a definição prática.
Como parte de inegável importância para qualquer definição válida, deve-se dizer também o que o judeu não é. Os judeus não são raça. A história revela que através de casamentos e conversões o seu número sofreu acréscimos sem conta. Há judeus morenos, louros, altos, baixos, de olhos azuis, verdes, castanhos e pretos. E apesar da maioria dos judeus serem de raça branca, há os judeus negros, os falashas, na Etiópia, os judeus chineses de Kai-Fung-Fu e um grupo de judeus índios no México, cuja origem, até hoje, ainda é um mistério para os antropólogos e arqueólogos.
Para se compreender o Judaísmo, a busca do absoluto no ritual e no dogma deve ser abandonada, para dar lugar a um exame de ampla filosofia à qual se subordina a nossa fé. As nossas regras de culto são muito menos severas do que as de conduta. Nossa crença no que se refere à Bíblia, aos milarges, à vida eterna - é secundária em relação à nossa fé nas potencialidades humanas e nas nossas responsabilidades para com o próximo. As modificações introduzidas, no decorrer dos anos, no ritual e nos costumes, são de importância menor comparadas com os valores eternos que fortaleceram a nossa fé através de incontáveis gerações e mantiveram o Judaísmo vivo, em face de todas as adversidades.
O Judaísmo sempre foi uma fé viva, crescendo e modificando-se constantemente como todas as coisas vivas. Somos um povo cujas raízes foram replantadas com demasia freqüência, cujas ligações com as mais diferentes culturas foram muito intensas para que o pensamento e tradições religiosas permanecessem imutáveis. Sucessivamente, os judeus fizeram parte das civilizações, dos assírios e babilônios, dos persas, dos gregos e romanos e, por fim, do mundo cristão. As paredes do gueto foram mais uma exceção do que propriamente uma regra no curso da história. Tais experiências, inevitavelmente, trouxeram consigo certas modificações e reinterpretações.
De qualquer maneira, a religião judaica conseguiu se desenvolver sem submeter-se ao dogmático ou ao profético. A fé do judeu exige que ele jejue no Dia do Perdão. Mas enquanto jejua, aprende a lição dos profetas que condenam o jejum que não é feito com probidade e benevolência. Ele vem à sinagoga para rezar e, durante o culto, lê as palavras de Isaías dizendo que a oração é inútil a não ser que ela seja o reflexo de uma vida de justiça e de misericórdia. Assim, o Judaísmo continua sendo uma fé flexível, que vê os valores através de símbolos e ao mesmo tempo se precavê contra cerimônias superficiais.
Acreditamos em Deus, um Deus pessoal cujos caminhos ultrapassam a nossa compreensão, mas cuja realidade ressalta a diferença que existe entre um mundo com finalidades e outro sem propósitos.
Acreditamos que o homem seja feito à imagem de Deus, que o papel do homem no universo é único e que, apesar da falha de sermos mortais, somos dotados de infinitas potencialidades para tudo o que é bom e grandioso.
São essas as nossas crenças religiosas básicas. Os outros pontos abordados acima podem ser considerados, como diria Hilel (1), “mero comentário”.

O ESTADO DE ISRAEL É UMA TEOCRACIA?

O ESTADO DE ISRAEL É UMA TEOCRACIA?
O moderno Estado de Israel não é uma teocracia, pois não é governado pelo rabinato de Jerusalém ou por quaisquer outros líderes religiosos. Seu governo é democraticamente eleito por todos os cidadãos, inclusive não-judeus, e representa a vontade política da população.(12)
Todo o sistema jurídico-hebreu do Novo Estado é de caráter secular, com exceção das leis que regem as relações de família e que seguem os preceitos religiosos.
Pelo fato de a esmagadora maioria do cidadãos israelenses serem judeus, a comemoração do sábado e das festividades faz parte integrante da vida comunitária, mas cada um tem a liberdade de respeitá-los da maneira que lhe apraz.
Não há teste religioso para os postos oficiais. O primeiro ministro ou qualquer membro de gabinete pode ou não ser freqüentador de sinagoga. Diversos deputados do Knesset (Parlamento) são árabes.

AS CERIMÔNIAS DA SINAGOGA SÃO RESERVADAS EXCLUSIVAMENTE A JUDEUS?

AS CERIMÔNIAS DA SINAGOGA SÃO RESERVADAS EXCLUSIVAMENTE A JUDEUS?

Existe entre os não-judeus uma noção mais ou menos generalizada de que a sinagoga é um lugar de mistério - exclusivo e inacessível a todos que não sejam fiéis. Tal suposição, na verdade, é completamente insustentável. Qualquer pessoa pode entrar numa sinagoga e a qualquer tempo. Em muitas casas de oração judaicas, estão inscritas sobre os altares as palavras de Isaías: “A minha Casa será uma Casa para todos os povos”.
Até mesmo orações genuinamente judaicas, o Kadish dos lamentos fúnebres, por exemplo, tocam uma corda sensível nos homens de todas as crenças: “Que o Pai da paz envie paz a todos que choram, e conforme os deserdados da sorte que vivem entre nós”.
Ninguém, seja qual for o seu credo, precisa hesitar em penetrar numa sinagoga ou templo, para observar, estudar, meditar - ou, se assim quiser, para rezar.

POR QUÊ DESACONSELHA O JUDAÍSMO OS CASAMENTOS MISTOS?

POR QUÊ DESACONSELHA O JUDAÍSMO OS CASAMENTOS MISTOS?

Os judeus religiosos desaconselham o casamento misto pelas mesmas razões dos devotos de todos os credos. Diferenças de religião entre marido e mulher opõem um obstáculo sério a relações verdadeiramente harmoniosas. Tais casamentos, ainda que perdurem, impõem um penoso e constante esforço à lealdade religiosa de ambos os cônjuges e suscitam problemas familiares de difícil solução.
Um matrimônio feliz deve basear-se na unidade de espírito. Quando marido e mulher discordam num ponto tão crucial como o seu credo religioso, as probabilidades de relações duráveis e satisfatórias são muito pequenas. E os filhos de tais consórcios ficam sujeitos ao grave conflito de terem de escolher entre as mais profundas convicções das duas pessoas que lhe são as mais caras do mundo.
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O respeito é um dos alicerces de qualquer relacionamento, principalmente o conjugal. Isto deve ser aplicado a todos os níveis, inclusive o religioso.
Conflitos entre marido e mulher devido a suas diferentes religiões ocorrem apenas quando, pelo menos um deles tenta impor suas crenças ao outro. Ou, se não chega a tanto, menospreza ou ridiculariza os ensinamentos da outra religião.
Além disso, não creio que o fato de o casal praticar a mesma religião implique necessariamente em uma relação “verdadeiramente harmoniosa”.
Muitas pessoas convertem-se para a religião do(a) futuro(a) companheiro(a) para que a união possa ser concretizada. Isto é louvável.
No entanto, é preciso que se esteja consciente do significado deste processo. Se a conversão foi feita apenas para vencer obstáculos de obrigações religiosas, deve-se evitar conflitos internos quanto ao “abandono” de sua religião original.
Por outro lado, se a conversão significou uma real mudança, deve-se abraçar a nova religião, sem renegar a antiga, mas sim tentando buscar fundamentos comuns para que a transição seja suave.
Quanto aos filhos, no caso de coincidência de religião do casal, há uma grande tendência de seguirem a religião da família, sem questionarem o motivo.
Normalmente isto não gera maiores implicações. Mas, em muitos casos, esta inércia faz com que não se aprofundem nas questões religiosas, desinteressando-se. Alguns passam apenas a cumprir os rituais básicos do culto, sem conhecerem o significado, enquanto outros findam por afastar-se de todo da religião de seus pais.
É claro que a falta de respeito tende a criar graves problemas de relacionamento. Mas, por outro lado, se houver respeito por parte dos familiares, a diferença de religião dos pais pode vir a ser estimulante, pois desperta a curiosidade da criança quanto a tal diferença. Se os pais a orientarem corretamente, sem preconceitos, darão a ela uma base segura para que, no devido tempo, faça sua escolha com firmeza e serenidade.

Marcelo Ghelman

PROCURAM OS JUDEUS CONVERTER OS GENTIOS?

PROCURAM OS JUDEUS CONVERTER OS GENTIOS?
O Judaísmo de nossos dias não é um credo religioso empenhado em proselitismo, embora tenha havido tempo em que os judeus se propunham um programa de missionários ativos.
Mas durante os últimos mil anos, eles, na maioria, se dedicaram mais a preservar a sua herança do que a aumentar o seu número por meio de conversões. De fato, prováveis candidatos à conversão eram, amiúde, descorçoados pelos rabis que lhes assinalaram o vulto das exigências da religião judaica e que o fardo de ser judeu num mundo intolerante não era fácil de suportar. Entretanto, através de toda a história, sempre se registraram conversões ao Judaísmo e hoje em dia não são de todo raras.

ESTÃO OS JUDEUS PROIBIDOS DE LER O NOVO TESTAMENTO?

ESTÃO OS JUDEUS PROIBIDOS DE LER O NOVO TESTAMENTO?

A frase "proibidos de ler" é inteiramente estranha ao Judaísmo. Nenhuma autoridade ousaria sugerir que um ente humano amadurecido fosse "proibido de ler" qualquer coisa. Nunca houve, por certo, nenhuma interdição da leitura dos Evangelhos ou de outros escritos cristãos.
Todavia, a sinagoga não se empenha em recomendar a leitura do Novo Testamento, já que ele não tem conotação religiosa dentro da vida judaica, nem se ouvirá do púlpito de uma sinagoga ortodoxa uma citação dos Evangelhos, pela mesma razão.

O CRISTIANISMO E O JUDAÍSMO CONCORDAM EM ALGUMA COISA? EM QUE PONTOS DIFEREM?

O CRISTIANISMO E O JUDAÍSMO CONCORDAM EM ALGUMA COISA? EM QUE PONTOS DIFEREM?

Cristãos e judeus partilham a mesma opulenta herança do Antigo Testamento, com suas verdades eternas e seus valores imutáveis. Partilham sua crença na paternidade de um só Deus, Onisciente, Todo-Poderoso e sempre Misericordioso. Compartilham sua fé na santidade dos Dez Mandamentos, na sabedoria dos profetas e na fraternidade humana. O núcleo de ambas as religiões é a firme crença no espírito humano; a busca da paz e o ódio à guerra; o ideal democrático como guia da ordem política e social; e, acima de tudo, a natureza imperecível da alma do homem.
Tanto cristãos quanto judeus acreditam que o homem foi posto no mundo para um fim - que a vida é muito mais do que “um brilhante interlúdio entre dois nadas”. O alvo social da Cristandade e do Judaísmo é também um único: um mundo motivado pelo amor, pela compreensão e pela tolerância aos semelhantes.
São esses os pontos básicos de concordância - o vasto campo comum do Judaísmo e do Cristianismo que forma a herança judaico-cristã, porquanto as raízes do Cristianismo se entranham profundamente no solo do Judaísmo, no Velho Testamento e na Lei Moral. E a herança comum de ambas as fés lançou os alicerces de grande parte do que conhecemos por civilização ocidental.
Mas existem, naturalmente, vários pontos distintos entre as duas religiões. Os judeus reconhecem a Jesus como um filho de Deus no sentido de que somos todos filhos de Deus, pois os antigos rabis nos ensinaram que uma das maiores dádivas de Deus ao homem é o conhecimento de sermos feitos à Sua imagem. Mas não aceitam a sua divindade.
Os judeus também rejeitam o princípio da encarnação de Deus feito carne. Constitui dogma cardeal de sua fé que Deus é puramente espiritual e não admite qualquer atributo humano. Ninguém, acreditam eles, pode servir de intermediário entre o homem e Deus, nem mesmo num sentido simbólico. Aproximando-nos de Deus - cada homem à sua maneira pessoal - sem um mediador(11).
O Judaísmo difere também do Cristianismo na doutrina do pecado original, não interpretando a história de Adão e Eva como a perda da Graça pelo homem, e não procurando tirar da alegoria do Jardim do Éden quaisquer lições ou regras sobre a natureza humana.

“SHAVUOT”

“SHAVUOT”

Shavuot é a Festa das Semanas, ou Pentecostes, que se celebra em fins de maio ou princípios de junho, exatamente sete semanas após a Páscoa. Ao contrário das outras festas principais, é observada apenas durante dois dias.
Originariamente, Shavuot era um festejo agrícola, a “Festa das Primicias”. Mas com o decorrer dos anos adquiriu outro significado, o de aniversário da outorga da Lei.
O livro do Êxodo é lido no Shavuot, inclusive o capítulo que contém os Dez Mandamentos. O tema geral desse dia é o nosso tradicional amor ao estudo. O Livro de Ruth, a deliciosa história da dedicação de uma jovem moabista à fé que adotou, também se lê na sinagoga durante a Festa das Semanas.

O SIGNIFICADO DE PÉSSACH

O SIGNIFICADO DE PÉSSACH

Páscoa, ou Péssach, conforme se chama em hebraico, é a principal festa doméstica na vida judaica. É a Festa da Liberdade, comemorativa da libertação de Israel da servidão egípcia.
Os rituais da Páscoa são, em grande parte, cerimônias do lar. Na véspera de se iniciar a comemoração, a casa é examinada dos alicerces até o sótão à procura de algum sinal de pão lêvedo ou de qualquer alimento que contenha fermento, e todos os traços de fermento são removidos. Por uma semana, matzot (pão ázimo), e panquecas e pudins feitos de ingredientes não-levedados, substituem no cardápio todas as formas de pão.
O ponto culminante da celebração da Páscoa consiste em servir-se o Seder, um banquete de família realizado na primeira e na segunda noites pascoais, com ritual complicado. A mesa é decorada com frutas e flores, a melhor louça, candelabros e outros indícios de festa. Para os quatro goles de vinho - símbolo da alegria - coloca-se uma taça ao lado de cada lugar.
A cerimônia consiste essencialmente em contar a história do Êxodo, utilizando vários símbolos para ilustrá-la e dramatizá-la. A criança mais nova sentada à mesa faz quatro perguntas ao pai(*). A história que o pai relata, lendo um livro chamado Hagadá, é a narrativa familiar da escravidão no Egito, a obstinada recusa do faraó em deixar os israelitas partirem, a corajosa chefia de Moisés e o milagre da redenção.
(*) Veja "Má Nishtaná" na nota nº 10, no fim do livro.
Cada um dos diversos componentes da refeição contém uma lição: o ovo cozido é símbolo da existência, a otimista afirmação de Israel da santidade da vida. É mergulhado em água salgada para se manifestar solidariedade com o destino amargo dos antepassados. Certa mistura de nozes e maçãs recorda à família a argamassa usada pelos hebreus escravos na construção de cidades para seus cruéis faraós.
Impõe o costume que se convidem hóspedes para a mesa familiar. Além dos amigos, um estudante que esteja longe do lar, um soldado ou um viajante afastado dos seus, serão bem-vindos.
Comemora-se a festa com um ofício especial na sinagoga: da Torá, lê-se uma vez mais a narrativa do Êxodo, e entoam-se os Halel, salmos de louvor.
Compreende-se que ao moderno Estado de Israel a festa de Péssach seja especialmente cara. Centenas de milhares de seus cidadãos reviveram a escravidão egípcia em campos de concentração e em asilos de deslocados. A nova Terra da Promissão, no próprio solo da antiga, é uma realidade que empresta pungência e júbilo à celebração israelense da Festa da Libertação.

“PURIM”

“PURIM”

Purim é a festa carnavalesca da vida judaica, um dia despreocupado, de regozijo pelos acontecimentos assombrosos registrados no livro de Ester.
Em fevereiro ou março de cada ano, o Purim evoca a trama de Haman para destruir os judeus da Pérsia e a bravura da rainha Ester, assim como a sabedoria de Mordecai que, juntos, salvaram da morte o seu povo.
É um período para festas a fantasia, costume tomado de empréstimo aos vizinhos cristãos que celebram seus folguedos de Momo pouco mais ou menos na mesma época. A idéia do carnaval, propriamente, não é cristã nem judia, mas remonta a qualquer antiga celebração primitiva da primavera.
A comemoração do Purim tem sido uma espécie de válvula de escape para os que sofrem sob o jugo da perseguição. Reúnem-se na sinagoga na véspera do Purim e ouvem as dramáticas ocorrências narradas na meguilá (rolo) de Ester. Sempre que se menciona o nome de Hamã, as crianças fazem uma barulheira com instrumentos ruidosos para expressar seu repúdio ao vilão. Após a leitura, servem-se doces, trocam-se presentes e fazem-se dádivas aos pobres.

“HANUCÁ”

“HANUCÁ”

Hanucá, ou “Festa das Luzes”, é celebrada em dezembro, por um período de oito dias, e comemora a vitória de Israel na primeira batalha pela liberdade religiosa de que há memória.
A sua história é a dos Macabeus que, em 168 A.C., comandaram um pequeno e inspirado exército de judeus contra o poder esmagador de seus opressores sírios numa luta de morte pelo direito de adorar a Deus à própria maneira tradicional. É uma história de bravura que encheu de justificável orgulho muitas gerações de judeus. Todavia, a tradição judaica hesitou em transformar um triunfo militar numa celebração religiosa. Pois embora a Bíblia considerasse justas algumas guerras, não permitia associar ao culto o derramamento de sangue humano. Ao rei David, um dos maiores heróis do Judaísmo, não foi permitido construir o Templo, porque sua vida fôra dedicada aos feitos guerreiros.
O simbolismo desta festa é completamente devotado a referências militares. As velas são acesas durante oito noites consecutivas por qualquer um dos pais (algumas famílias permitem às crianças terem a sua vez) numa menorá especialmente planejada para a Festa das Luzes. Acende-se uma vela na primeira noite, duas na segunda, e assim por diante até que todas as oito se acendam, Uma vela adicional, denominada shamash, é acesa ao mesmo tempo, a fim de ser usada para acender as outras. Em tempos idos sugeriu-se que a ordem fosse invertida: oito velas acesas na primeira noite, sete na segunda, etc. Mas os Rabis da Escola de Hilel se apegaram ao processo que agora se fixou, para refletir a fé de Israel num futuro mais brilhante.
A vela extra também foi dotada de um significado especial. A chama se entrega para criar uma chama adicional sem nada perder do seu próprio fulgor. Assim o homem dá de seu amor aos seus semelhantes sem nada perder de si.

“SIMHAT-TORÁ”

“SIMHAT-TORÁ”

Celebra-se o festejo de Simhat-Torá ao findar Sucot, e é dedicado à glorificação da Torá. Nesse dia é que se completa o ciclo anual das leituras semanais dos Cinco Livros de Moisés e a sinagoga principia de novo a leitura da Torá.
Em Simhat-Torá os fiéis lêem os últimos capítulos do Livro do Deuteronômio e, imediatamente depois, o primeiro capítulo do Gênesis, simbolizando com isso a eterna continuidade do Judaísmo. A Torá, sempiterna, não tem pois início, nem fim.
A despeito da solenidade deste simbolismo, a festa de Simhat-Torá tornou-se o dia mais alegre do ano. É época de banquetes e, entre os Hassidim, ocasião de danças exuberantes.

A FESTA DE “SUCOT”

A FESTA DE “SUCOT”

“SUCOT” é a Festa dos Tabernáculos, que se inicia cinco dias após o Dia da Expiação e continua por oito dias. É um festejo de colheitas para dar graças a Deus - uma lembrança da celebração na antiga Palestina, quando as colheitas haviam sido feitas e se aproximava a estação chuvosa.
A festa é um acontecimento alegre e feliz, cheio de símbolos ricos e coloridos, e especialmente atraente para as crianças, às quais obviamente se destina. Ergue-se uma tenda ou cabana (sucá) perto da casa. Em geral é uma estrutura improvisada, de tábuas de madeira, com teto de folhas e ramos. O teto não deve ser compacto, pois os que se acham dentro da sucá devem poder ver o céu o tempo todo. A construção de uma tenda é prescrita na Bíblia como eterna lembrança das habitações precárias utilizadas pelos israelitas em seus quarenta anos de peregrinação através do deserto. O interior da sucá é alegremente decorado com frutas da estação outonal, e mobiliado com mesa e cadeiras. Durante a semana de Sucot a refeição familiar é servida na sucá.
Dois outros símbolos marcam a festa de Sucot: cidra (uma fruta parente do limão) e o Lulav, um ramo de palmeira amarrado com mirto e salgueiros. Cada planta tem o seu significado simbólico, mas, como a sucá, recordam essencialmente a nossa dependência do solo e nossas obrigações para com Aquele que faz a terra entregar suas dádivas.

“IOM-QUIPUR”

“IOM-QUIPUR”

O Iom-Quipur é o Dia da Expiação, o último dos “Dez Dias de Penitência”, e, tal como Rosh-Hashaná, um dos dois Grandes Dias Santificados. É marcado por vinte e quatro horas de orações e jejum. Quando o sol principia a morrer na véspera da Expiação, a família se reúne para uma refeição festiva. Acendem-se velas, todos pedem perdão uns aos outros pelos agravos cometidos; os filhos aos pais, os pais aos filhos, o marido à mulher e vice-versa, pois se deve ingressar no dia sagrado de alma limpa.
O branco, símbolo da pureza, é a cor dominante do Iom-Quipur. Os panos do altar e a cobertura da Torá na sinagoga, castanhos aos sábados e azuis nos dias de festa, são substituídos por brancos. O rabi e o “cantor” trajam vestes brancas, e em algumas congregações conservadoras todos os homens usam solidéus brancos.
O cântico do Kol Nidre, dirigido pelo “cantor”, é o prelúdio ao Dia da Expiação e se recita imediatamente antes do pôr do sol. É uma prece pela absolvição, pedindo a Deus que nos livre dos votos feitos, mas não cumpridos. Trata-se unicamente das promessas do homem a Deus, e não das do homem ao seu semelhante. Nem todas as preces do Iom-Quipur podem absolver um homem dos pecados contra seu próximo; só este, inclinado ao perdão, é capaz de fazê-lo.
O estribilho constante do dia é a oração: “Pai, pecamos diante de Ti”, e o oficiante desfia o tradicional catálogo de pecados, negligências e transgressões que cobrem a vasta gama das faltas humanas.
A confissão do Iom-Quipur é recitada deliberadamente na primeira pessoa do plural, e não do singular, nós em vez de eu. Há, naturalmente, pecados individuais, mas também existe a aceitação da responsabilidade coletiva pelas deficiências da humanidade. No Iom-Quipur cada um de nós partilha do peso da culpa dos outros.
Mas por mais solene que possa ser o dia, no Iom-Quipur ainda há um elemento de alegria - a alegria proveniente da idéia do perdão. Acreditamos que “Deus está perto dos aflitos”, e que, segundo as palavras do ritual do Iom-Quipur, “Tu não desejas a morte do mau, e sim que ele saia de seu pecado, e viva”. Por conseguinte, o judeu piedoso confia implicitamente na Sua misericórdia e perdão.

“ROSH HASHANÁ”

“ROSH HASHANÁ”

É o nome hebraico do Ano Novo. Representa um dos dois dias santos mais sagrados da fé judaica e dá início aos “Dez Dias de Penitência” quando “a humanidade se submete a julgamento perante o trono celestial”. Durante esse período, afirma a tradição, Deus perscruta os corações dos homens e examina os motivos de seus atos. É também o período em que os judeus se julgam a si mesmos, comparando seu procedimento durante o ano findo com as resoluções tomadas e as esperanças que haviam acalentado.
Na moderna Israel celebra-se o Rosh-Hashaná somente um único dia; os ortodoxos continuam a observar dois dias igualmente santificados, conforme o costume mantido desde o primeiro século.
A exemplo de quase todos os demais dias santos do Judaísmo, as observâncias do Rosh-Hashaná incluem certa mistura de solenidade e festividade. O Novo Ano é uma época para reunião da clã, quando tanto os jovens como os anciãos voltam ao lar. O esplendor de seu ritual cria laços emocionais com o Judaísmo até nas crianças pequenas demais para compreender e apreciar plenamente a ética da fé; nos anos seguintes a mente reforça esses laços do espírito e do coração.
O símbolo mais relevante das práticas do Rosh-Hashaná é o shofar, ou chifre de carneiro, que se faz soar durante o culto do Ano Novo e em cada um dos dez dias de penitência. Em tempos idos, o shofar era instrumento de comunicação. Nas colinas da Judéia era possível alcançar todo o país em poucos momentos por meio de apelos de shofar, correndo do cume de um monte para outro. Nos ofícios do Rosh-Hashaná, o shofar é o chamado para a adoração. Conclama os fiéis a se arrependerem de suas faltas do ano decorrido; a voltarem a Deus com o espírito contrito e humilde e a distinguirem entre o trivial e o importante na vida, de modo que os doze meses seguintes possam ser mais ricos de serviços a Deus e aos homens.

QUE SIGNIFICA O SÁBADO PARA OS JUDEUS?

QUE SIGNIFICA O SÁBADO PARA OS JUDEUS?

O Sábado(9) é mais do que uma instituição no Judaísmo. É a instituição da religião judaica.
Seria possível a um historiador escrever duas histórias dos judeus, cada qual oferecendo pouca semelhança com a outra. A história exterior, isto é, como se houveram social e politicamente através dos tempos, numa crônica, um tanto sinistra, de perseguições, expulsão e dispersão. Mas a história espiritual dos judeus - a força que conseguiram haurir do seu ambiente - essa é outra história. De certo modo lograram criar uma vida que lhes deu não apenas satisfação espiritual e a determinação de continuarem como um grupo, mas também uma sensação de bem-estar no meio de um mundo perturbado.
O sábado, sem dúvida, se encontra no âmago desse mundo íntimo de paz e serenidade. “Mais do que Israel guarda o sábado - diz o ditado - o sábado guarda Israel”. Com efeito, a história espiritual judia não passa de uma série de dias de semana empregados nos preparativos para o sábado.
O sábado é um período para repouso espiritual, e para um intervalo na monótona rotina do labor cotidiano. Serve para recordar que a necessidade de ganhar a vida não nos deve tornar cegos ante a necessidade de viver.
É também um dia da família, feito para reminiscências. Os filhos crescidos e casados reunem-se ao círculo de sua família; avós, pais e a meninada partilham do sentimento de unidade, enquanto os filhos inclinam as cabeças e o pai repete a bênção: “Que o Senhor te abençoe e guarde neste dia de sábado”. É um dia com toda espécie de brilhantes comemorações: alimentos especiais, pães trançados, vinhos doces para a bênção, toalha de mesa alva e limpa, bruxuleantes velas brandas, a melhor louça e prataria, flores num vaso polido, moços e velhos paramentados com suas melhores roupas.

FESTAS E JEJUNS

FESTAS E JEJUNS

Os dias consagrados do ano judaico são, em grande parte, uma questão de atmosfera-ambiente - um sentimento criado e até mesmo inventado para estabelecer um estado de espírito que empreste a cada dia festivo ou solene o seu caráter específico.
De fato, cada dia santo representou uma estação, mais do que um dia particular ou um conjunto de dias. Péssach principia, em certo sentido, no dia seguinte ao Purim - um mês antes da festa propriamente dita. É esta a estação da purificação da primavera, mas que representa mais do que o adeus anual ao inverno. A mãe, ocupada com suas tarefas domésticas, bem sabe que “antes de darmos por isso, o Péssach terá chegado”. Há um sentimento de expectativa que é transmitido a toda a família e cresce durante o mês inteiro.
Observe-se que os dias santos judaicos são mais do que meras comemorações. Constituem outras tantas lições sobre os mais importantes ideais judaicos: o agradecimento a Deus, a liberdade, o estudo e a sabedoria, o sacrifício, o arrependimento. Os dias santos põe em evidência tais valores e dão-lhes substância, especialmente para os jovens.
É sempre difícil fazer aceitar valores abstratos. O amor ao estudo é transmitido à criança mais claramente por meio do aparato da procissão da Torá, na festa de Simhat-Torá, do que seria possível numa lição em aula, porquanto desta forma ela aprende, ainda que em tenra idade, que os ensinamentos da Bíblia são sagrados para a sua família e o grupo dos que a cercam, e constituem preciosos objetos de amor.
O Jejum tem três propósitos distintos na fé judaica: auto-renúncia, luto e súplica.
Além do Iom-Quipur, diversos jejuns menores são observados pelos ortodoxos, o mais importante dos quais é o Dia das Lamentações, Tisha B'ab, em agosto, que comemora a destruição de ambos os Templos de Jerusalém. O período de jejum é geralmente de vinte e quatro horas, desde o pôr do sol de um dia até o do dia seguinte.
O jejum do Dia da Expiação é símbolo da aptidão do homem para vencer seus apetites físicos, numa demonstração feita a Deus de que ele é capaz de renegar o desejo natural de alimentos e bebidas e que também tentará dominar todos os seus anelos egoístas.
Como sinal de luto, o jejum exprime tristeza coletiva ou pesar individual. O jejum da Lamentação relembra aos judeus a destruição da antiga pátria. O judeu ortodoxo também se abstém de todo alimento e bebida no aniversário da morte de um dos pais.
Embora o ascetismo seja em geral mal visto pelo Judaísmo, os judeus muito piedosos costumam jejuar em numerosas ocasiões através do ano inteiro, particularmente às segundas e quintas-feiras, quando preces especiais de penitência são recitadas.

QUE É O “TALMUD”?

QUE É O “TALMUD”?


O Talmud consiste em sessenta e três tratados de assuntos legais, éticos e históricos, escritos pelos antigos rabis. Foi publicado no ano de 499 D.C., nas academias religiosas da Babilônia, onde vivia a maior parte dos judeus daquela época. É uma compilação de leis e de erudição, e durante séculos foi o mais importante compêndio das escolas judias. O Judaísmo ortodoxo baseia suas leis geralmente nas decisões encontradas no Talmud.
Parte considerável dessa obra enciclopédica só oferece interesse a estudiosos profundos da lei. Mas o Talmud é muito mais do que uma série de tratados legais. Intercalados nas discussões dos eruditos há milhares de parábolas, esboços biográficos, anedotas humorísticas e epigramas que fornecem uma visão íntima da vida judaica nos dias que antecederam e seguiram de perto a destruição do Estado judeu. É um reservatório de sabedoria tão valioso hoje quanto o foi há mil e oitocentos anos.
Os mesmos sábios rabis que nos deram o Talmud, compilaram também o Midrash, coleção de comentários rabínicos sobre os ensinamentos morais da Bíblia, freqüentemente citados em sermões e na literatura judaica. Em torno de cada verso das Escrituras, os eruditos teceram considerações morais, muitas vezes em forma de parábola. Os rabis estudaram a Bíblia com a convicção de que toda a verdade estava encerrada em suas páginas, bastando lê-la para desvendar-lhe o opulento acervo de sabedoria.

QUE É A “TORÁ”?

QUE É A “TORÁ”?

A palavra Torá tem dois sentidos na tradição judaica. No sentido lato, é a Torá o nosso modo de viver, ou, conforme disse Milton Steinberg, “Toda a vastidão e variedade da tradição judaica”. É sinônimo de ciência, sabedoria, amor a Deus. Sem ela, a vida não tem sentido nem valor.
Em senso mais estrito, a Torá é o mais reverenciado e sagrado objeto do ritual judaico, o belo rôlo manuscrito dos Cinco Livros de Moisés (a Bíblia, do Gênesis até o Deuteronômio) que se conserva na Arca da Sinagoga.
Uma parte da Torá, iniciando-se com o livro do Gênesis, é lida em voz alta todo sábado durante o culto, logo a partir dos Grandes Dias Santos, prosseguindo até o fim do ano judaico, até que tenha sido lida. O fiel mantém-se de pé quando a Torá é retirada da Arca. Um judeu piedoso beija a Torá colocando seu xale de orações sobre o pergaminho (assim os dedos não tocam o rôlo) e erguendo então aos lábios as franjas do xale.

QUE É “BAR MITZVÁ”?

QUE É “BAR MITZVÁ”?

Um menino que completa o seu décimo-terceiro aniversário é um Bar Mitzvá - literalmente, um homem do dever. Desse dia em diante, conforme a tradição judaica, é ele responsável por seus próprios atos e por todos os deveres religiosos de um homem.
No sábado posterior ao décimo-terceiro aniversário de um menino judeu, ele é chamado ao altar da sinagoga para ler a Torá. O jovem repete a bênção, depois que um trecho da Torá é lido, e recita a lição dos Profetas, denominada Haftará.

POR QUÊ PRATICAM OS JUDEUS A CIRCUNCISÃO?

POR QUÊ PRATICAM OS JUDEUS A CIRCUNCISÃO?

Brit-Milá, a circuncisão da criança do sexo masculino uma semana após seu nascimento, é o mais antigo rito da religião judaica(8). Era praticado pelos patriarcas desde antes da existência das leis de Moisés e se acha tão indelevelmente gravado na tradição que nenhuma transferência é permitida, nem por causa do sábado nem pelo Dia da Expiação. A cerimônia só pode ser postergada quando a saúde da criança não a permite.
Alguns estudiosos explicam a exigência como uma medida sanitária e a moderna ciência médica deu apoio a essa teoria aconselhando a circuncisão como processo rotineiro na maioria das maternidades dos Estados Unidos.
O Judaísmo, porém, considera o rito da circuncisão um símbolo exterior que liga o menino à sua fé. Não é um sacramento que o introduz no Judaísmo; essa introdução é operada pelo nascimento. A circuncisão confirma a condição da criança e representa um emblema de lealdade à fé israelita.

QUAL A BASE PARA AS LEIS DIETÉTICAS A QUE OS JUDEUS OBEDECEM?

QUAL A BASE PARA AS LEIS DIETÉTICAS A QUE OS JUDEUS OBEDECEM?

Um alimento proibido é treifá, “impróprio”. A designação kosher empregada em relação a um alimento indica ser este ritualmente correto; usa-se para qualificar não apenas alimentos como também qualquer objeto que preencha os requisitos rituais.
Originariamente, a palavra treifá significa que a carne era obtida causando-se sofrimento a um animal. Até a carne de animais que causam dor a outros é proibida; nenhum animal carnívoro é kosher. A carne proveniente da caçada esportiva constitui também tabu, pois o Judaísmo proíbe a matança pelo prazer do esporte.
Os judeus que hoje observam as leis dietéticas não encontram dificuldades nem se sentem prejudicados. Eles consideram as práticas kosher símbolo de sua herança distintiva, uma lição cotidiana de auto-disciplina e um lembrete constante de que o humano deve sentir piedade por todas as coisas vivas.

EXISTE UM LIVRO COMPLETO DA LEI JUDAICA?

EXISTE UM LIVRO COMPLETO DA LEI JUDAICA?

Nenhum livro incorpora todas as leis religiosas a que estão sujeitos os judeus.
O máximo que se alcançou na compilação de um código legal único, é representado pelo Shulhan Aruch, obra do século XVI de autoria de José Caro, repositório das leis básicas que hoje em dia guiam a maioria dos judeus ortodoxos no mundo ocidental. Mas embora estes aceitem a maior parte do Shulhan Aruch, ainda assim não o consideram o corpo integral da lei judaica, soma de todos os códigos aceitos, comentários, emendas e responsas (respostas dos rabinos aos problemas suscitados pela experiência prática) contidos numa biblioteca inteira de escritos judaicos.
Outra obra de padrão é o Código de Maimônides, que registra, sistemática e logicamente, as opiniões contraditórias do Talmud.
Nem mesmo a Bíblia pode ser considerada norma imutável para a prática religiosa. As leis bíblicas relativas à poligamia, à cobrança de dízimos, à escravidão e a dezenas de outros assuntos, caducaram pela sua reinterpretação. Neste sentido, a lei rabínica e a Bíblia não são idênticas.

LEI E RITUAL RELIGIOSOS

LEI E RITUAL RELIGIOSOS

Um dos traços mais característicos do Judaísmo consiste na sua grande variedade de ritos e cerimônias tradicionais que se relacionam com todas as circunstâncias da vida, desde o berço até o túmulo. A religião judaica está repleta de símbolos de toda espécie. E apesar de alguns poucos terem surgido em séculos recentes, a maioria tem origens muito antigas.
Quando os pais levam o filho à sinagoga para o Bar-Mitzvá, reina profunda comoção entre os fiéis, alegres por contemplarem um rapazinho passar para a idade adulta, enquanto os pais se orgulham por verem o filho assumir um papel na vida da sinagoga e compenetrar-se das primeiras responsabilidades da maioridade. O cerimonial do Bar Mitzvá sublima todas essas emoções.
Dizer que tais cerimônias são supérfluas é pretender que as palavras podem bastar-se sem música. Podem, é claro. Mas a música freqüentemente acrescenta-lhes uma nuança que marca a diferença entre fortuito e significativo, entre trivial e solene. Destarte, os ritos e os símbolos amiúde emprestam poesia à vida e tornam-na digna de ser vivida.
A palavra hebraica que significa santo, é “Kadosh” e é encontrada sob diversas formas através de todo o ritual judaico:
Aos sábados e nas festas o judeu recita o Kidush, a Santificação do vinho. As palavras e a bênção em si não têm tanto sentido quanto a própria cerimônia. O pai toma nas mãos a taça de prata e declama as palavras em voz alta; a mãe e os filhos ouvem atentamente e respondem com um “Amém” conclusivo. É um ato simples e no entanto espelha toda a beleza e a serenidade que o sábado representa.
O ritual da Devoção Silenciosa, recitada três vezes por dia, contém uma prece chamada Kedushá, na qual o oficiante repete as palavras do profeta: “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos, o mundo inteiro está cheio de sua glória”.
E, ao fim da vida, há outra forma de santificação, o Kadish - no qual a pessoa que perdeu um ente querido afirma, apesar de toda a sua aflição, que a vida é sagrada e digna de ser vivida.

QUAL O PAPEL DA ESPOSA E DA MÃE NA FAMÍLIA E NA VIDA RELIGIOSA?

QUAL O PAPEL DA ESPOSA E DA MÃE NA FAMÍLIA E NA VIDA RELIGIOSA?


Toda véspera de sábado, a família praticante recita o último(7) capítulo dos Provérbios, como tributo à esposa e à mãe, ideais do Judaísmo.
As virtudes exaltadas naqueles vinte e dois versos resumem os dotes de uma perfeita esposa: um ser humano reverente, eficiente, compreensivo, de um otimismo alegre, de coração aberto para socorrer os necessitados que lhe batem à porta e, acima de tudo, a pessoa sobre quem toda a família pode apoiar-se.
Desde o bíblico livro Provérbios até as modernas baladas populares judaicas, a esposa e a mãe têm sido descritas como a encarnação da terna dedicação, do altruísmo e da fidelidade à própria crença. A mãe impõe o tom espiritual à vida familiar, é a principal responsável pelo desenvolvimento do caráter dos filhos e mantém a família unida em face da adversidade.
A tradição judaica impõe poucas obrigações rituais à mulher na vida da sinagoga, mas atribui-lhe responsabilidade total em relação à atmosfera de piedade do lar e à preservação dos ideais judaicos. Ela reúne os filhos em torno de si na véspera do sábado para ouvirem-na pronunciar a bênção das velas, prepara a casa para cada festa e para os Grandes Dias Santos e cria um ambiente de jubilosa expectativa.
Nas velhas comunidades judaicas, a educação das crianças até a idade de seis anos cabia às mulheres, a fim de que, naquele período impressionável, pudessem ensinar a seus pequerruchos os valores eternos. Mais importante, porém, era o tradicional papel de conselheiro da família inteira, desempenhado pela esposa e pela mãe. Diz o Talmud: “Não importa a pequena estatura de tua mulher, inclina-te e pede-lhe conselho”.

QUAL A ATITUDE DOS JUDEUS EM RELAÇÃO AO DIVÓRCIO?

QUAL A ATITUDE DOS JUDEUS EM RELAÇÃO AO DIVÓRCIO?


O divórcio sempre foi raro na comunidade judaica. Todavia, quando as divergências entre marido e mulher são tão irreconciliáveis que tornem intolerável a vida em comum, o Judaísmo permite o divórcio, sem reservas. Um lar cheio de amor, dizem-nos os nossos mestres, é um santuário; um lar sem amor é um sacrilégio.
Na tradição judaica se considera maior mal para os jovens serem criados num lar sem paz e respeito mútuo do que terem de encarar o divórcio dos pais. Quando duas pessoas não podem encontrar uma base comum para prosseguir em seu casamento, a despeito de reiterados e autênticos esforços, o Judaísmo sanciona e aprova-lhes o divórcio.

QUE SIGNIFICAM OS VÁRIOS SÍMBOLOS USADOS NUM MATRIMÔNIO JUDAICO?

QUE SIGNIFICAM OS VÁRIOS SÍMBOLOS USADOS NUM MATRIMÔNIO JUDAICO?


Muitos dos costumes ligados à cerimônia nupcial provêm, em grande parte, mais da prática local do que da lei judaica. Em todos os países onde os judeus se estabeleceram, adotaram, além dos ritos exigidos pela sua religião, alguns dos costumes não-religiosos de seus vizinhos não-judeus. As regras protocolares, os convites, a ordem do cortejo decorrem mais de hábito que da lei.
Há, todavia, certos ritos e símbolos tradicionais ligados à maioria dos casamentos judaicos. Entre estes se incluem o dossel (Hupá) sob o qual se recebem os votos matrimoniais; o cálice de vinho onde tanto a noiva quanto o noivo bebem no princípio e no fim da cerimônia; a simples e desataviada faixa nupcial; e o documento do matrimônio religioso, chamado Quetubá.
Cada um desses símbolos tradicionais é dotado de uma variedade de significados. O dossel empresta uma atmosfera de realeza à ocasião, pois a noiva e o noivo são considerados rei e rainha no seu dia de bodas. É também um símbolo do recolhimento a que o par recém-casado faz jus. Na cerimônia tradicional, permite-se à noiva e ao noivo deixarem os convidados por alguns momentos de intimidade não vigiada - um alívio bem recebido pelos dois que se acham tão assoberbados por dezenas de parentes e amigos.
O anel - que não precisa ser feito de ouro - é um símbolo de perfeição e eternidade, o círculo sem princípio nem fim. A questão que se faz da simplicidade do anel é típica da tradição judaica de igualdade, porquanto um anel sem enfeites diminui a diferença entre um par de noivos pobre e outro rico. O presente de um anel sem pedras é, porém, questão de costume, não de lei.
Partilharem a noiva e o noivo um único cálice do vinho, lembra o seu destino comum, pois daí em diante suas vidas são inseparáveis. Originariamente, o primeiro cálice, no início da cerimônia nupcial, representava os esponsais ou compromisso, e o segundo o próprio matrimônio. Hoje nos referimos freqüentemente ao primeiro como o cálice da alegria, que é ainda mais alegre por ser partilhado. O segundo é o cálice do sacrifício. A responsabilidade que cai sobre o homem e a mulher é aliviada quando duas pessoas, profundamente dedicadas uma à outra, a suportam em igual medida.
O ato de quebrar o cálice representa o ponto culminante do ofício tradicional e é interpretado de muitas maneiras. Alguns o consideram um vestígio de magia primitiva. Entre muitas tribos antigas, era hábito fazerem forte ruído em ocasiões jubilosas para afugentar os espíritos maus, invejosos da felicidade humana. Mas a tradição judaica sustenta que o cálice partido é uma lembrança da destruição do templo, um símbolo das mágoas de Israel. No meio de sua ventura pessoal, o par recém-casado é advertido das amarguras da vida e morigerado pela idéia de suas responsabilidades.

É VERDADE QUE NO JUDAÍSMO O LAR É MAIS IMPORTANTE QUE A SINAGOGA?

É VERDADE QUE NO JUDAÍSMO O LAR É MAIS IMPORTANTE QUE A SINAGOGA?


Sim, decididamente. Se todos os templos israelitas tivessem de fechar, a vida religiosa judaica permaneceria intacta, por que o seu centro está no lar.
Os judeus consideram o seu lar um santuário religioso. A família é a fonte principal do seu culto, e seu ritual tanto se destina ao lar quanto à sinagoga. A mãe, acendendo as velas de sábado - nas noites de sexta-feira; o pai, abençoando os filhos à mesa de sábado; as dúzias de ritos oportunos e significativos que acompanham a observância de todo dia santo judaico; o pergaminho que, fixo no portal, proclama o amor a Deus (Mezuzá) - tudo isto forma parte integrante do ritual e do cerimonial. A nossa religião é essencialmente uma religião familiar.

O MATRIMÔNIO E A FAMÍLIA

O MATRIMÔNIO E A FAMÍLIA

O Judaísmo criou dezenas de ritos e cerimônias para a família, os quais uniram a fidelidade familiar aos deveres religiosos e assim reforçaram tanto o lar quanto a religião.
A religião judaica mede a dignidade do homem em relação ao círculo de sua família; pelo respeito e consideração pelos pais e avós; pela estima entre marido e mulher; pelo reconhecimento dos direitos da criança. No lar judeu não falta autoridade, embora em nada lembre um regime autoritário. Cada membro da família tem um papel importante, indispensável; em conjunto, todos asseguram a continuidade da família e da religião.

O traço mais característico do lar judeu reside, provavelmente, na ênfase que põe na unidade do convívio familiar. Sugere o Talmud que os judeus devem partilhar das alegrias e tristezas dos filhos.
Muitas famílias judias de hoje, a exemplo de alguns dos seus vizinhos não judeus, se apartaram dos hábitos tradicionais de família. Porém a maioria mantém os elevados padrões e os importantes valores da associação que sempre merecerão ser preservados.

POR QUÊ SE PREOCUPAM OS JUDEUS COM OS DIREITOS DE OUTROS GRUPOS MINORITÁRIOS?

POR QUÊ SE PREOCUPAM OS JUDEUS COM OS DIREITOS DE OUTROS GRUPOS MINORITÁRIOS?


Amiúde, os judeus têm sido vítimas de tirania e da opressão. Sua familiarização com dominadores cruéis e arbritários remonta à época dos faraós. Um dos postulados primordiais do Judaísmo é lutar contra o tratamento injusto de qualquer ente humano, sejam quais forem a sua raça, religião ou estirpe.
Pessoas tratadas injustamente tornam-se freqüentemente amarguradas e retribuem os golpes maltratando outros, mais fracos, sempre que têm oportunidade. O povo judaico, no entanto, reagiu sempre ao próprio sofrimento com profunda sensibilidade pela dor alheia.
A simpatia pelas desgraças de seus semelhantes tornou-se parte do modo de viver dos judeus. Afabilidade para com os estranhos é tema constante no Velho Testamento, com a freqüente admoestação: “Lembrai-vos de que éreis estrangeiros na terra do Egito”.


Quanto a este assunto, tenho um comentário importante a fazer.
A realidade de grande parte de nossas escolas desconsidera completamente os princípios descritos acima. Alunos de determinada idade sofrem humilhações por parte de outros mais velhos. Ressentidos, passam a descarregar suas mágoas sobre os mais novos. Cria-se assim um círculo vicioso que, se não for interrompido, tende a perdurar. Este fato não se limita a escolas não judaicas. Conheço bem isto por experiência própria e por relatos de amigos e familiares.
O mais grave é que muitos professores acham tudo isso normal. Argumentam que as crianças precisam aprender a lidar com as dificuldades da vida. Os alunos que mais desrespeitam (dizia-se sacaneiam na minha época) são considerados espertos. Os que nos recusamos a tal prática somos chamados de bobos, otários, etc.
A pressão psicológica é tão grande que crianças de boa índole acabam sentindo vergonha de serem diferentes da maioria e passam a praticar maldades para poderem ser aceitas em círculos de amizade, mesmo sentindo-se mal com isso. À medida que não são repreendidas mas, ao contrário, elogiadas, incorporam tal comportamento para o resto de suas vidas.
Isto aconteceu comigo. Felizmente, senti-me tão mal com isso que consegui retornar à minha condição original. É preciso tomar providências para que esta situação seja modificada.

Marcelo Ghelman

OS JUDEUS E A COMUNIDADE

OS JUDEUS E A COMUNIDADE


A lei que manda procedermos corretamente para com o próximo é o ponto de partida de todos os ensinamentos judaicos. Não possui o Judaísmo uma complexa filosofia da justiça. Ao contrário de Platão e Aristóteles, os pensadores judeus pouco se esforçaram por desenvolver uma filosofia democrática sistematizada. De fato, não exite uma palavra hebraica para significar democracia, e para designar a noção esse mesmo termo é tomado de empréstimo aos gregos. Mas o credo social, segundo o qual os judeus têm vivido durante séculos, está de acordo com as mais elevadas tradições da democracia.
São básicos do Judaísmo os seguintes princípios também básicos da democracia:

Deus não faz distinção entre os homens baseado em credos, cor ou condição social; todos os homens são iguais a Seus olhos(5).


Todo homem é o guarda de seu irmão - temos responsabilidade pelas faltas de nosso semelhante tanto quanto pelas suas necessidades.


Sendo feitos à imagem de Deus, todos os homens dispõe de infinitas possibilidades para o bem; por conseguinte, o papel da sociedade é evocar o que de melhor existe em cada pessoa.


A liberdade deve ser apreciada acima de todas as coisas; logo as primeiras palavras dos Dez Mandamentos(6) descreveram Deus como o Grande Libertador.
O tema da liberdade e da igualdade perpassa constantemente através da história trimilenar do povo judeu. O travo freqüente da injustiça, enquanto ele vagueava de país em país, reforçou uma tradição já enraigada na sua fé.
O profeta Jeremias exortou seus seguidores a procurarem a prosperidade da terra em que habitavam. E os judeus sempre sentiram a obrigação de participar plenamente da vida da comunidade.

ACREDITAM AINDA OS JUDEUS NA VINDA DO MESSIAS?

ACREDITAM AINDA OS JUDEUS NA VINDA DO MESSIAS?

A crença na vinda do Messias - um descendente da Casa de David que redimirá a humanidade e estabelecerá o Reino de Deus na terra - faz parte da tradição judaica desde os dias do profeta Isaías.
Conforme o descrevia a lenda, o Messias deveria ser um ente humano dotado de dons muito especiais: sólida capacidade de comando, grande sabedoria e profunda honestidade. Empregaria ele tais faculdades no estímulo da revolução social que ensejaria uma era de perfeita paz. Nunca, porém, houve qualquer alusão a um poder divino que seria gerado. Encarava-se o Messias como um grande chefe, um modelador de homens e da sociedade, mas, com tudo isso, um ser humano, e não um Deus.
Contudo, a maioria dos judeus reinterpretou a primitiva crença num Messias, não como um Redentor individual, mas como a própria humanidade que, coletivamente, pelos seus próprios atos, seria capaz de introduzir entre nós o Reino de Deus. Quando a humanidade alcançar um nível de verdadeira sapiência, bondade e justiça, então será esse o Dia do Messias.

ACREDITAM OS JUDEUS LITERALMENTE NOS MILAGRES DA BÍBLIA?

ACREDITAM OS JUDEUS LITERALMENTE NOS MILAGRES DA BÍBLIA?


Nossos antepassados consideravam os milagres da Bíblia literalmente verdadeiros. Não faziam eles distinção entre o natural e o sobrenatural, já que o mesmo Deus todo-poderoso que determinou o curso da natureza poderia alterá-lo à vontade. A separação das águas do Mar Vermelho, o desmoronamento das muralhas de Jericó, parar o sol à ordem de Guideão, tudo isso era aceito como fatos históricos normais, em nada diversos da queda de Jerusalém ou da composição do Talmud.

Grandes eruditos, entre eles Maimônides e, muitos séculos antes, Filon, sugeriram que os autores da Bíblia tenham escrito deliberadamente numa linguagem de parábolas e hipérboles, sem esperar que estas fossem tomadas ao pé da letra. Seu propósito era transmitir grandes verdades morais numa forma que fosse compreendida e apreciada pelo povo em geral. A alegoria constituía excelente método didático, a ponto de a história bíblica permanecer intata através de cem gerações.

QUEM REDIGIU A BÍBLIA E COMO FOI ELA COMPILADA?

QUEM REDIGIU A BÍBLIA E COMO FOI ELA COMPILADA?

Ninguém sabe quem escreveu ou redigiu a Bíblia. Os homens que preservaram a Sagrada Escritura e a deram ao mundo na sua forma hodierna foram escritores apaixonados pelo anonimato, a ponto de os letrados, ao discutirem sobre que livros incluir na terceira e última parte da Bíblia, terem-no adotado como um dos critérios. Exceto os profetas, nenhum dos autores era conhecido.
A redação final da Bíblia, tal como a compilação original da sua sabedoria, foi também fruto de um esforço conjunto. Séculos de estudo e discussão por parte dos maiores eruditos consumiram-se nessa tarefa.
A Bíblia judaica se compõe de três partes distintas, redigidas em diferentes épocas.

A Torá ou Pentateuco, isto é, os Cinco Livros de Moisés, foram compilados, pela primeira vez, nos anos subseqüentes a 621 A.C.

Os dos Profetas foram organizados em sua forma final por volta do ano 200 A.C.

Esta seção contém os livros históricos: Josué, os Juízes, Samuel e os Reis; os Profetas Maiores: Isaías, Jeremias e Ezequiel; e os doze profetas menores, inclusive Oséias, Amós, Jonas e Miquéias.


Os chamados Escritos Sagrados, que constituem a terceira parte da Bíblia, foram os que mais dificuldades ofereceram a um acordo dos doutos e mais tempo exigiram para serem compilados. Houve muitas controvérsias a respeito dos livros que deveriam ser mantidos e dos que deveriam ser eliminados. Não havia dúvidas quanto aos Salmos, Provérbios, Jó e outros livros menores. Numerosos rabis indagaram, porém, se o “Cântico dos Cânticos”, cuja poesia obviamente retratava um episódio de amor profano, caberia na Sagrada Escritura. Outros argumentaram a favor da inclusão dos chamados livros “Apócrifos”, finalmente omitidos da Bíblia Judaica, mas posteriormente introduzidos no texto católico romano.

Quando a última parte da Bíblia ficou afinal concluída, continha - e contém até hoje - os Salmos, Provérbios e Jó; as cinco Meguilot ou rolos (o Cântico dos Cânticos, Ruth, Lamentações, Eclesiastes e Ester); Daniel, Ezra, Nehemias e os dois livros de Crônicas. Nada do que se escreveu depois da época de Ezra (séc. V A.C.) foi considerado parte da Bíblia.
Tanto quanto se sabe, foi por volta de 90 D.C. que pela primeira vez os vinte e quatro livros da Bíblia judaica foram mencionados como um todo.
Os escritos sagrados da cristandade foram incorporados em obras que os cristãos denominaram de Novo Testamento, em oposição aos 24 livros a que chamaram de Antigo Testamento.
Quem leu ambas as versões, judaica e católica, notará que a ordem dos livros é um tanto diferente no Antigo Testamento cristão e na Bíblia judaica. Todavia, exceto os livros adicionais incluídos nas edições católicas, os dois textos são substancialmente idênticos.

ACREDITAM OS JUDEUS NO CÉU E NO INFERNO?

ACREDITAM OS JUDEUS NO CÉU E NO INFERNO?

Houve tempo em que a idéia do céu e do inferno teve acolhida generalizada na teologia judaica. Embora não contenha qualquer referência direta a um futuro mundo concreto ou físico, o Antigo Testamento faz algumas vagas e poéticas alusões a uma vida posterior. E durante o período da dominação persa sobre Israel, diversos ensinamentos do Zoroastro, entre os quais a noção de um céu e um inferno futuros, tornaram-se populares entre os judeus.

Hoje, estes acreditam na imortalidade da alma - uma imortalidade cuja natureza só é conhecida de Deus - mas não aceitam um conceito literal do céu e do inferno.
Os judeus sempre se preocuparam mais com este mundo do que com o outro e sempre concentraram seus esforços religiosos na criação de um mundo ideal para nele viverem.

QUAL É O CONCEITO JUDAICO DO PECADO?

QUAL É O CONCEITO JUDAICO DO PECADO?

MORRIS KERTZER

O conceito judaico de pecado se ampliou e transformou através dos séculos. Para os antigos hebreus, o pecado consistia na violação de um tabu, uma ofensa contra Deus, pela qual deveria ser oferecido um sacrifício expiatório. Gradativamente, com o correr dos anos, este conceito se dilatou. O pecado passou a significar a nossa inabilidade em nos conformarmos com nossas plenas potencialidades, o nosso malôgro em cumprir nossos deveres e arcar com as nossas responsabilidades como judeus e como povo de Deus.
Estas “grandes expectativas” provenientes da criação do homem à imagem de Deus, são acentuadas em todos os ensinamentos judaicos. Narra certa lenda do Talmud que ao entregar a Torá a Moisés, Deus chamou para testemunhar não apenas os judeus do tempo de Moisés, porém os judeus de todas as gerações futuras. Cada judeu, portanto, deve considerar-se como tendo aceito pessoalmente a Lei e os elevados ideais dados a seus pais, como depositários, nas faldas do Sinai. Deixar de pautar a vida por estes altos padrões, constitui pecado.

A tradição judaica distingue entre pecados contra a humanidade e pecados contra Deus. Os primeiros - transgressões de um homem contra seu próximo - somente podem ser reparados com a obtenção do perdão daquele que foi agravado. Orações não podem expiar tais pecados; Deus não intervém para redimir as dívidas do homem para com o seu semelhante.
Os pecados contra Deus se cometem por quem se alheia à sua fé. Estes podem ser expiados pela verdadeira penitência, que em hebraico se exprime pela palavra “retorno”(*), quer dizer, um regresso a Deus e uma reconciliação com Êle. Isto só pode ser conseguido por meio de uma análise honesta de nossas almas, um reconhecimento sincero de nossas imperfeições e uma firme resolução de preencher o vácuo entre o credo e o ato.
(*) “Teshuvá” - em hebraico.

CONSIDERAM-SE OS JUDEUS “O POVO ELEITO”?

CONSIDERAM-SE OS JUDEUS “O POVO ELEITO”?

As palavras “povo eleito” deram origem a muitas ilações capciosas. A maioria delas provém da falta de familiaridade com a tradição judaica e de uma incompreensão daquilo que o Judaísmo considera seu papel específico e sua responsabilidade.
Não se consideram os judeus dotados de quaisquer características, talentos ou capacidades peculiares, nem tampouco que gozem de algum privilégio especial aos olhos de Deus. A Bíblia refere-se à escolha de Israel por Deus, não em termos de preferência divina, mas antes por divina intimação. Israel foi escolhido para trilhar uma vida de grandes exigências espirituais; para honrar e perpetuar as Leis de Deus e transmitir a Sua herança.

Relata a tradição o episódio do Monte Sinai, em que a Torá foi completada. Deus oferecera o rôlo sagrado a diversas outras nações antes de oferecê-lo a Israel. Julgando que os Dez Mandamentos lhes impunham muitas limitações, os moabitas recusaram a Torá. Tampouco os amonitas quiseram aceitar restrições à sua liberdade pessoal. Israel, porém, aceitou a Lei sem reservas.
Os judeus de nossos dias, portanto, consideram-se um povo que escolhe, antes que um povo escolhido, e aceita “o peso da Torá”, e a responsabilidade de transmitir sua moral básica e suas verdades espirituais.
Todavia, os judeus responsáveis rejeitam qualquer degeneração desse senso de fatalidade num arrogante e vazio jacobinismo ou numa confusão de responsabilidade com privilégio.

QUAIS SÃO OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DO JUDAÍSMO?

QUAIS SÃO OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DO JUDAÍSMO?

A maneira mais autêntica de adorar Deus é a imitação das virtudes divinas: como Deus é misericordioso, assim também devemos ser compassivos; como Deus é justo, assim devemos tratar com justiça ao próximo; como Deus é tardo em se irritar, assim também devemos ser tolerantes em nossos julgamentos.
O Talmud(2) fala em três princípios básicos da vida: a Torá, ou instrução; o culto ou o serviço de Deus, e a caridade ou a prática de Boas Ações.

O amor ao saber domina a fé judaica. Desde o primeiro século da era cristã, têm os judeus um sistema de educação obrigatória. A responsabilidade pela educação dos pobres e dos órfãos cabia à comunidade tanto quanto aos pais. Tampouco se alheavam os antigos rabis à psicologia educativa. No primeiro dia de escola as crianças ganhavam bolos de mel com o feitio das letras do alfabeto, para que associassem o estudo ao prazer.


O segundo princípio básico desta religião é o serviço de Deus. Desde sua mais tenra meninice aprendem os judeus que Ele deve ser adorado por amor, e nunca por temor.


O terceiro fundamento do Judaísmo é a caridade, a genuína caridade que brota do coração(3). Não existe outra palavra hebraica para traduzir caridade senão a que significa “dádiva eqüânime”(*). A filantropia, observou um notável erudito, nasceu de dois elementos da religião judaica: o conhecimento de que tudo quanto possuímos é propriedade do Senhor; e a convicção de que o homem pertence a Deus.

(*) “Nedava” - em hebraico

Para o judeu piedoso, a filantropia não conhece fronteiras raciais ou religiosas. De acordo com os rabis: “Exige-se de nós que alimentemos os pobres dos gentios tanto como nossos irmãos(*) judeus...” Ninguém está isento da prática da caridade - diz o Talmud -, “até quem vive de uma pensão deve dar ao pobre”!
(*) Veja nota nº 3 no fim do livro.
No primeiro século da nossa era, o Rabi Iohanan(4) perguntou a cinco de seus mais preclaros discípulos o que consideravam o alvo supremo da vida. Cada qual ofereceu a sua fórmula predileta. Depois de ouvir a todos, disse Iohanan: “A resposta do rabi Elazar ainda é a melhor - um bom coração”.
Outro grupo de estudiosos procurou um único verso da Bíblia qie distilasse a essência da fé judaica. E encontraram-no nas palavras do profeta Miquéias: “Que é que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça e ames a beneficência e andes humildemente com o teu Deus”.